Arquivo de categoria Depoimentos

PorCoelho Branco

UM NOVO OLHAR, DE NOVO.

Quando eu estava na faculdade, um dos textos que mais gostei de ler foi “Por que ler os clássicos” do fantástico escritor italiano Italo Calvino. No texto, ele lista 14 razões para se ler os livros clássicos e já na primeira leitura conseguimos ampliar isso não só para livros, mas para várias mídias na nossa vida. Um dos pontos mais fortes desse texto e aquele que também me acompanha já faz vários anos, é que sempre vale a pena reler os clássicos, pois em cada releitura, o clássico se torna um novo livro. Isso soa impossível se considerarmos que o que está escrito não muda, mas é mais que plausível ao aceitarmos que a cada leitura, nós leitores mudamos, estamos em momentos diferentes de nossas vidas.


Recentemente, tive uma experiência que mais que ilustra tudo isso, mas, para entendê-la, precisamos voltar no tempo, quando eu ainda descobria a pluralidade de jogos de tabuleiros e ainda era apenas um novato no Clube Nerd. Naquela época, eu e dois amigos arriscamos nos sentar para jogar The Gallerist, nos seduzimos pela caixa gigante e a premissa interessante, cada jogador é um dono de galeria de artes, descobrindo, patrocinando e lucrando em cima de novos artistas. Diferente. Mas aprendemos ali, da maneira difícil, que é inútil tentar correr antes de ser um bom caminhador. Levamos três idas no Clube Nerd e dois ou três vídeos tutoriais de quase uma hora cada para entender (ou quase entender) o jogo. Quando finalmente jogamos, achamos o pior jogo do mundo. Complicado e nada divertido, afinal, naquele ponto, só estávamos jogando por orgulho.

Faz umas duas semanas, já com quase todos os jogos da ludoteca do CN jogados, meu olhar caiu sobre a caixa do The Gallerist novamente. Um pouco relutante, propus que o jogássemos novamente. Hoje, como Membro Ruby, posso levar jogos para casa e aprender com calma, além disso, trago uma bagagem muito maior em se tratando de jogos.

Que diferença! Descobrimos que um dos jogos que mais abominávamos, que sempre usávamos como referência para algo que não queríamos jogar, é sim um bom jogo! E não, não houve nenhuma atualização de regras nem nada do tipo, apenas os jogadores mudaram, ainda que sendo as mesmas pessoas. O jogo durou por volta de uma hora, contando com a explicação da regra relida, conseguimos tentar traçar estratégias, entendemos o que estava acontecendo e, com certeza, removemos The Gallerist da nossa lista de piores jogos.

A dica que deixo aqui é: rejoguem. Peguem aquele jogo que vocês jogaram faz muito tempo e não gostaram tanto e joguem novamente. Releiam as regras, expliquem tudo de novo, joguem a primeira impressão pela janela e, como diria o celebre músico, “tente outra vez”! Pode ser que vocês descubram mais um bom jogo para sua galeria ou, se ainda assim o jogo não agradar, bom! Agora vocês têm certeza que não gostaram e podem guardar o jogo de volta no fundo do armário junto com a versão do Banco Imobiliário que vem com a maquininha de cartão e não te dá o prazer de juntar um bolo de notas para fazer inveja nos adversários.

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PorMarvin the Paranoid Android

OUTRORA

Nasci na primeira metade da década de 80. Para os mais jovens que não viveram aquela época a não ser através de Stranger Things, os anos 80 formavam um universo diferente, onde muito mais era permitido e negligência não fazia parte do vocabulário comum. Nessa mesma época, entre cigarros de chocolate e apresentadoras infantis quase nuas, o ambiente era ainda bem hostil para nerds. O nerd era um espécime que vivia na base da cadeia alimentar, sofria bullying (na época conhecido apenas como “ah, olha os meninos brincando”), não conseguia amigos que não fossem outros nerds, e precisava praticamente de uma rede de contatos no submundo para conseguir as coisas que gostava, um livro de RPG era uma lenda que poucos já tinham visto, praticamente o Eldorado nerd, todos só conheciam as fotocópias.

Com os anos a tecnologia foi tomando conta do mundo e, quando isso aconteceu, os nerds viram uma oportunidade e a abraçaram. Os nerds se tornaram os maiores dominadores da tecnologia e a tecnologia dominava o mundo. Hoje, anos depois disso, os nerds vivem em um habitat favorável. O mundo é dos nerds e foi nesse mundo que surgiu o Clube Nerd.

O CN hoje é um dos lugares mais receptivos para os nerds, mesmo nós nerds nascidos nos anos sombrios de 80, que ainda se sentem um pouco arredios em público, nos sentimos a vontade e benvindos lá. Hoje o CN é o que gosto de chamar de uma reserva nerdígina, onde nos sentimos seguros, onde todos sorriem para nós e nós sorrimos de volta, onde podemos falar de D&D, Star Wars, quadrinhos, vídeo games, do que quisermos sem temermos um cuecão ou um tostão no braço.

Quem lhes escreve é alguém que aprendeu (forçadamente) a gostar de board games limitado ao quarteto Banco Imobiliário, Detetive, Jogo da Vida e War e de pois de barbado foi descobrir a infinidade de jogos melhores, e lhes digo: venham conhecer o Clube Nerd, não importa se você nunca jogou antes, nós ensinamos com um sorriso no rosto, não importa se você é jovem, idoso, preto, branco, colorido, não temos preconceito, não importa se você não é nerd, você será acolhido como nunca fomos na época de filmes onde adolescentes de 15 eram interpretados por adultos de 35. O CN pode ser a sua casa e se você não se sentir à vontade aqui, procure qualquer funcionário/frequentador, eles estarão mais que felizes de te ajudar. Foi assim comigo, que demorei a descobrir o CN e hoje sou um frequentador assíduo há mais de um ano.

Alexandre Ziviani

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